quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Uma história de vinho e caramelo

“Vai dar oi para o tio”, dizia minha mãe enquanto andava para a fila da padaria.
Eu ia correndo, sem exitar, porque sabia que o meu tio Danilo (o “Pirata”, o “Dalanha”, do “Shopping Dall’Agnol”) estava sempre pronto para dizer “te dou” e abrir aquela porta mágica de onde ele sempre tirava um punhado de balas deliciosas. Era uma fonte inesgotável de balas. Eu tinha que dividir entre as minhas duas pequenas mãozinhas todas aquelas balas e saia correndo ao encontro da minha mãe, para mostrar. E por mais que hoje eu não seja uma consumidora frenética de balas, descobri uma que me ganhou.



A sensação das lembranças de infância me veio diretamente ao coração quando escutei a história. 
E eu fiquei pensando o quanto isso pode ser grandioso para o consumidor. É só uma bala, mas é um produto que conseguiu fazer uma grande inovação (porque ninguém até então tinha pensado nisso), dentro de um dos ícones da tradição italiana, do “life style made in Italy” – a terceira marca mais valiosa do mundo. E de forma simples, resgatando a simplicidade do gesto de uma pequena doação, de uma “coisa de vô”. Foi em Verona, capital italiana do Enoturismo para o mundo, que nasceu a bala “Tidó”, a primeira bala ao vinho “Amarone della Valpolicella DOCG”. Me conquistou!


Não só porque é gostosa, realmente. E preciso contar que foi assim: primeiro, a sensação do chocolate fondente que começou a se derreter na minha boca.  Em seguida, eu não sabia se começava a mastigar a bala, porque não queria que aquela sensação do chocolate derretendo-se terminasse. Me rendi e mordi. De repente, aquela “onda” de Amarone, um dos vinhos mais prestigiados (e caros) da Itália, se espalhou pela minha boca. Me envolveu com uma sensação inexplicável, uma emoção proporcionada por aquele recheio cremoso de sabor único, diretamente do coração da bala para todas as minhas terminações nervosas.


 Me ganhou sobretudo porque tem gostinho de infância, tem o carinho do “te dou”, gesto simples que traz a magnitude do “dar”, do “doar”, a simbologia de receber o amor de alguém através de uma doação. Desde o nome, “ti dó”, porque em dialeto veneto os avós ainda dizem “ti dono”, e levam sempre um punhado de balas no bolso para espalhar esse amor por aí.  Ou seja, não é uma bala, é um pedaço de uma longa história.




E a “cereja do bolo” é que esta bala é uma forma acessível de contar e levar para o mundo essa história, o território da Valpolicella, na região de Verona, e o seu astro, o Amarone. Foi a forma que a Alessandra brilhantemente encontrou de agregar (muito) valor a um produto simples (o que pode ser mais simples do que uma bala?), acessível (sem restrições de idade e de bolso) e que pode levar ao mundo um pedaço da história, dos agricultores, do território (uma bala qualquer um pode levar no avião). E o que pode ser mais gostoso do que ouvir “ti dó” quando alguém volta de uma viagem? 





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